Mostra de Curtas no FRAPA – Festival de Roteiro Audiovisual de Porto Alegre

#Crítica – Terminou sexta, 09 de setembro, a décima edição do “FRAPA”, Festival de Roteiro Audiovisual de Porto Alegre. Para entrar nesse mar conosco, escrevi um pouquinho sobre o primeiro bloco de filmes da Mostra Internacional Competitiva de Curtas. Essas histórias me embalaram. 

por Carol Fonseca

SOLITUDE, roteiro de Tami Martins e Aron Miranda


Consigo me relacionar diretamente com a sensação angustiante e paralisante da solidão. Por outros motivos, vivi um período de imobilidade, tal qual a Sol. É muito reconfortante quando nos deparamos com histórias que conseguimos sentir profundamente seus efeitos. Solitude é dos filmes mais lindos que vi nos últimos tempos. É interessante pensar que quando algo nos toca profundamente, ficamos maravilhados com a sua existência.

Senti profunda gratidão pela equipe ao realizar o filme, de maneira tão dedicada, linda, criativa e sensível. Muito sagaz a utilização da Sombra como esse outro eu, presente no nosso campo psíquico. E essa Sombra precisa de cuidado e tempo para se curar. Ao perceber que Sol conseguiu se curar de sua decepção amorosa, sentimos um alívio. Somos carregados pela história sem perceber. 

CÉU DE AGOSTO, roteiro de Jasmin Tenucci


Quando o céu de São Paulo ficou laranja, onde você estava? Eu estava em Campinas no dia 19 de agosto de 2019, entrando em um avião para Portugal. Lembro de achar bonito, até: “em Minas, o céu não é assim, deve ser poluição”. Mal sabia eu que estávamos diante de um ano com 90 mil focos de queimada na Amazônia e entre os Top anos com mais queimadas da região no Brasil. 

Em Céu de Agosto, a anunciação do apocalipse traz à tona o desespero da fé por Lúcia, enfermeira, moradora de São Paulo, que está grávida. Toda a atmosfera narrativa vai sendo construída nesse medo da mudança climática e o impacto na vida dos paulistas. 

SIDERAL, roteiro de Carlos Segundo


Em um hipotético lançamento de foguetes para o espaço do Brasil, quem entraria correndo na nave espacial? Sideral conta a história de Marcela e sua família. E de tantas outras famílias brasileiras. O filme se desenrola no dia que o foguete vai ser lançado e como isso afeta toda a população dessa pequena cidade do Nordeste. 

Marcela, mãe com marido ausente, dona de casa e faxineira da base de lançamento de foguetes, está constantemente estressada com seu cotidiano exaustivo e com seu trabalho pouquíssimo remunerado. Com o lançamento do foguete, chega-se a notícia para Marcos e seus filhos, que Marcela entrou escondida no foguete e foi embora para o espaço. 

Fugindo do extenuante trabalho, Marcela volta daqui 2 anos depois de viajar no espaço sideral. 

Noctámbulos, roteiro de Arturo Baltazar e Renato Moncayo

O que acontece com os insones? 

Em Noctámbulos, 6 insones vagam durante a madrugada por Guadalajara em busca de sentidos para si, suas identidades, objetos perdidos e pelo sono. Os personagens estão o tempo todo buscando algo, como se a noite lhes tivessem roubado. 

Além disso, a câmera estática imita nossos corpos espectadores parados e imóveis diante da movimentação noturna. O filme não nos entrega tudo de primeira, vamos degustando a história aos poucos. 

Tecido, Sigilo, roteiro de Lucílio Jota 


Em um curta documental experimental, a performance da dança, a narrativa ficcional e a relevância das entrevistas se misturam e formam um filme potente e lindo. Ao refletir sobre como as vestimentas são vistas com o filtro racista em peles negras, o filme denuncia a violência dos discursos e olhares sobre os corpos pretos. 

É surpreendente o início performático e a conexão com as entrevistas que se seguem. Mas ao final, todo a obra reflete uma voz muito bem construída e original.

A curadoria da mostra competitiva de curtas do FRAPA 2022 foi realizada em parceria pela equipe da Cardume e do FRAPA.

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